Desde que venceu a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2011, o Japão vem deixando a sua marca no futebol feminino com um belo estilo de jogo. O país se destaca pela precisão na troca de passes curtos, por uma enorme eficiência, muita velocidade e uma movimentação intensa. Mas não é só isso. Antes da final do Torneio Olímpico dos Jogos de Londres 2012, o futebol das japonesas está ainda mais refinado. E ninguém melhor para falar sobre esse assunto do que a maestrina da equipe, Aya Miyama.
"Atualmente temos condições de controlar o jogo melhor do que no ano passado", diz Miyama, que já vestiu a camisa do seu país em 68 partidas, ao FIFA.com. "Além disso, estamos conseguindo manter o nosso ritmo de forma contínua, o que também é uma melhoria em relação ao ano passado."
A jogadora está confiante para disputar o ouro olímpico contra os EUA, em uma reedição da final do último Mundial Feminino. "As americanas estarão com 100% de motivação para buscarem uma revanche contra nós", admite Miyama. "É importante que consigamos nos controlar e não deixemos aflorar nenhuma emoção em especial, mesmo que o adversário seja a seleção americana."
Às vésperas da decisão de quinta-feira no Estádio de Wembley, em Londres, as japonesas precisarão exercitar muito as suas típicas qualidades de autocontrole e disciplina. Para alegria do técnico Norio Sasaki, poucas equipes têm uma capacidade de concentração tão grande quanto a sua.
Cautela no discurso...
Em uma entrevista dada ao FIFA.com duas semanas antes da Olimpíada, a lateral direita japonesa Yukari Kinga já havia adotado um discurso cauteloso em relação a expectativas para o torneio. "Mesmo que sejamos as atuais campeões mundiais, desempenharemos aqui o papel de desafiantes", afirmou ela na ocasião. Porém, apesar da certeza de voltar para casa com uma medalha, Miyama segue mantendo a mesma modéstia. "Em muitos sentidos, as francesas foram melhores do que nós na semifinal", avalia. "Agora precisamos ter o mesmo espírito delas na final."
Indiscutivelmente, as japonesas passaram por mais uma etapa da sua evolução e estão colhendo os frutos de um árduo trabalho em Londres 2012. A ambição agora é coroar esses esforços com uma vitória na partida decisiva contra os EUA. Para Miyama, o principal motivo das boas atuações do Japão é a força psicológica que a equipe tem mostrado para vencer duelos decisivos, o que deverá ajudar as asiáticas também no confronto com as americanas.
"Trabalhamos muito para que a sorte ficasse do nosso lado", afirma a atleta de 27 anos, que é uma das principais estrelas do selecionado nipônico, ao lado de Homare Sawa, Jogadora do Ano da FIFA em 2011. Sem dúvidas, a própria Miyama trabalhou muito para levar o seu país até a final, contribuindo com duas assistências contra a França, além de, como de costume, ter corrido muito e mostrado muita combatividade no meio-campo.
... domínio dentro de campo
Contra os EUA, ela precisará jogar dessa mesma forma para impedir que a perigosa dupla de ataque americana formada por Abby Wambach e Alex Morgan receba muitas bolas. Além disso, Miyama é uma das principais peças da seleção japonesa na transição de jogo da defesa para o ataque e sabe que é fundamental que ela desempenhe bem o seu papel na decisão. "Precisamos impor o nosso jogo", afirma.
Essa frase deixa explícito o grande contraste que existe entre a modéstia das japonesas no discurso e o que elas de fato fazem dentro de campo, procurando sempre dominar a equipe adversária. Pouco mais de um ano após a conquista do Mundial, e apesar das circunstâncias psicológicas às vésperas da final olímpica, Miyama sabe bem qual seria a importância de um novo grande título para a Terra do Sol Nascente. "Desde a Copa do Mundo 2011, a popularidade do futebol feminino cresceu incrivelmente no Japão", conta. "Agora queremos dar o segundo passo e vencer novamente aqui em Londres 2012 para estabelecer ainda mais o esporte no país."
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